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ECONOMIA
Economia Pós Covid-19, um novo tempo, uma nova história
A Covid-19 continua a se espalhar pelo mundo e foi descoberto que ela expôs fragilidades na economia, como queda nos preços de petróleo, em commodities, em empregos, enfraquecimento da moeda, aumento da dívida pública e recessão no Brasil e no mundo.
Marcio Demari Florianópolis - SC
Postada em 17/05/2020 ás 11h53 - atualizada em 17/05/2020 ás 16h21
Economia Pós Covid-19, um novo tempo, uma nova história

Edmar Ricardo Lastoria / Economista e Empresário

Ano de 2020. O mundo está passando por uma metamorfose pandêmica, em meio a cicatrizes, mortes e reinvenções para sobrevivermos ao caos na saúde e na economia, atualmente. A COVID-19 atravessará a memória de várias gerações, trazendo uma mentalidade de tempos de guerra, mas, que uniu em um determinado tempo da História, todo o planeta do mesmo lado.


Essa epidemia teve sua eclosão em dezembro de 2019 na cidade de Wuhan, na província de Hubei, na China. A Covid-19 continua a se espalhar pelo mundo e foi descoberto que ela expôs fragilidades na economia, como queda nos preços de petróleo, em commodities, em empregos, enfraquecimento da moeda, aumento da dívida pública e recessão no Brasil e no mundo. Acrescenta-se que há uma contração de 12% entre janeiro e março de 2020 na economia mundial. A crise gerada pela Covid-19 inexoravelmente colocará, mais uma vez, no topo da agenda econômica e social o debate Estado x Mercado (ou liberalismo versus desenvolvimentismo) e que essa será uma oportunidade “única” para se corrigir os erros cometidos no passado.


O Lockdown do setor produtivo no caso atual, em escala global, está sendo determinado pela estratégia de isolamento social (quarentena) adotada pelos governos para minimizar o contágio da população e, desse modo, o número de mortos. Assim, o fato inteiramente inédito nessa crise é que, na ausência de políticas públicas típicas de tempos de guerra, as empresas deixaram de produzir e as pessoas estão perdendo seus empregos simplesmente para não ter suas vidas ceifadas pela Covid-19. Com um agravante: mesmo que as pessoas estejam dispostas a correr risco de vida e decidam trabalhar, as consequências sobre a economia serão ainda piores em função do colapso do sistema de saúde, com efeitos diretos sobre os níveis de emprego e de produção.


Transita-se rapidamente da esfera do risco, na qual é possível a realização de cálculos probabilísticos, para a incerteza ou para a esfera de ignorância plena. Pode parecer um exagero, mas a amplitude das diferentes projeções feitas mundo afora nos departamentos de economia das instituições financeiras de empresas de consultoria e das instituições de pesquisa demonstram que exercícios meramente especulativos estão sendo realizados.


No caso brasileiro, esses exercícios têm levado a estimativas de queda do PIB em 2020 que vão de - 0,68% a - 4,5%. No início da crise, quando apenas a China havia sido atingida, a maioria dos analistas trabalhava com recuperação em V, queda acentuada e rápida retomada, hoje já se fala em U, alguma demora para retomar, e em L, com um período prolongado de estagnação econômica. Os mais pessimistas falam em I, ou seja, queda por um bom tempo em função da crise financeira.


No início deste mês de maio, levou-se apenas 15 dias para o mercado de ações dos EUA despencar (uma queda de 20% em relação ao seu pico) – o declínio mais rápido de todos os tempos. Agora, os mercados caíram 35%, os mercados de crédito avançaram e os spreads de crédito subiram para níveis de 2008. Mesmo as principais empresas financeiras como Goldman Sachs, JP Morgan e Morgan Stanley esperam que o PIB dos EUA caia em uma taxa anualizada de 6% no primeiro trimestre de 24% a 30%, no segundo. 


O secretário do Tesouro dos EUA, Steve Mnuchin, alertou que a taxa de desemprego pode subir para mais de 20% (o dobro do nível máximo durante o GFC. , acredita-se que a crise atual guarda algumas diferenças importantes em relação às anteriores não só quanto à dimensão da redução súbita da atividade econômica em nível global, provocada pelo isolamento social, como do nível de incerteza gerado que tem rapidamente instabilizado os mercados financeiros e de commodities. Provavelmente a maioria das economias demorará de dois a três anos para voltar aos níveis de produção que tinha antes da epidemia. Mudanças serão obrigatórias. As grandes empresas terão que repensar onde e como produzem.


O bem-estar mundial será muito maior se os países optarem pela cooperação, a ajuda e a solidariedade em momentos de crise, e por compartilhar informação e avanços científicos em vez de fazê-lo pela autarquia e o confronto. Os Governos vão gastar mais para cuidar da saúde de sua população e evitar os enormes custos das pandemias. Só o SARS tirou ―de acordo com a Universidade Nacional da Austrália― 40 bilhões de dólares (204 bilhões de reais) da economia do planeta. A Covid-19 não é tão mortal como o ebola. Acertar o futuro da economia soa complexo. Porque ninguém sabe qual será seu custo humano e econômico final.


O mundo está mudando diante da crise. A psicologia do investidor já está mudando. Os negócios estão em mutação. O consumo está diferenciado. Só sobreviverão as grandes redes e os pedidos online, mesmo que, agora, pareça improvável. A sociedade também deverá apreciar o valor de trabalhos até agora desprezados. Babás, assistentes sociais, faxineiras, cuidadores de idosos. Algumas das contribuições mais subvalorizadas pedem uma consideração bem diferente. Talvez o novo tempo proponha a lição de que os professores e as enfermeiras são muito mais valiosos do que os banqueiros de investimento e os gestores de fundos especulativos.


As camisetas terão estampadas a palavra “resiliência” e em suas etiquetas deveríamos ler fabricado em “decência”, “generosidade”, “honestidade”, “beleza”, “coragem”. Provavelmente descobriremos (outra vez!) que existem muitos trabalhos que podem ser feitos em casa, economizando combustível em deslocamentos e tempo de espera em antessalas. O problema, entretanto, é que queremos estender esse privilégio a atividades muito importantes como a educação e o amor, que não podem deixar de ser presenciais: exigem o corpo a corpo.


O preço em vidas humanas e os custos fiscais e monetários para minimizar os efeitos econômicos e sociais da Covid-19 deixam claro que saúde e educação não são apenas cruciais para melhoria do bem-estar social, mas são também grandes investimentos do ponto de vista econômico.


Edmar Ricardo Lastoria
CEO do Lance 24h / https://www.lance24h.com.br
Economista e Empresário
São Paulo / Brasil.

FONTE: Assessoria
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